E porque o prometido é devido, vamos, sem mais demora, "ouver" mais uma forma de Africazz - a tal que prometi ser ainda mais genuína que a apresentação anterior! -, desta feita através da música de Dollar Brand ou, se preferirem, Abdullah Ibrahim (nome que adoptou depois de se converter ao Islamismo).
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Dollar Brand nasceu em África(!) - lá está!... "Africazz"!... - nos anos 30 e viveu sempre entre a sua terra Natal, a África do Sul, a Europa e os EUA. Começou novo a tocar piano e novo era quando se estreou nas actuações ao vivo ao tocar jazz em pequenas salas e bares da Cidade do Cabo. Ainda teve tempo para ser pioneiro ao participar no primeiro disco de jazz gravado por músicos negros na África do Sul!
Também participou no extraordinário tema "Mannenberg", de Coetzee (seu saxofonista), que se tornou talvez no principal hino (não-oficial) anti-apartheid.
O seu ímpar estilo musical sempre se revelou através da franca sonoridade africana - instrumental e vocal - e pelas felizes influências do Jazz Ocidental, de onde absorveu os magníficos arranjos do grande mestre compositor e pianista Duke Ellington (com especial destaque para a secção de metais) e ainda alguma sonoridade de outro mestre compositor e pianista, o grande Thelonious Monk. Por outro lado, o seu sui generis estilo de tocar piano é, acima de tudo, resultado de uma forte influência do Marabi, uma autóctone corrente musical originária na África do Sul. É ele, Ibrahim, um dos seus grandes divulgadores. Por fim, e para desconcertar, ainda tece alguns rasgos de escalas orientais e nuances de música Árabe!
Peço a vossa atenção para a música de Abdullah Ibrahim, este fabuloso compositor e intérprete de canções e temas africanos!
Na segunda metade da década de 80 tive a sorte de poder assitir a um concerto de Abdullah Ibrahim com a sua orquestra no pavilhão do Belenenses. Recordo, pela positiva, as melodias de encantar que rapidamente enfeitiçaram o público. Por feitiço ou não, certo é que o público se rendeu por completo a tão elevada forma de fazer música. Pela negativa ficou o registo de uma decadente acústica, originada pela reverberação da estrutura e das placas de zinco e plástico daquele polidesportivo.
Ao que parece, este ministro do Africazz ainda está pronto para as curvas e, assim sendo, pode ser que alguém (entre os vários milhares de leitores d'O Mangas) com direito de voto nesta matéria possa trazer Abdullah Ibrahim até ao AngraJazz!...